Esse conto está sendo contado nessa página para que as partes fiquem na devida ordem facilitando a leitura
Esta história é uma ficção. Fatos, nomes. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
Parte I
A faculdade já não era mais a mesma coisa. Não eram as mesmas pessoas. A turma q entrei na faculdade já havia se formado. Restaram apenas poucos q não conseguiram ter seus projetos de conclusão aprovados. Mas esses ainda estavam um ano a minha frente.
Trancar a faculdade e voltar não é nada fácil.
Me sentia meio perdida entre as matérias. A sensação de q não aprendi nada nos anos anteriores me consumia. Talvez eu até tivesse aprendido, mas os 2 anos de afastamento serviram como uma borracha passada em traços leves de um rascunho. O conhecimento não foi lapidado e fixado. Se perdeu fácil.
Minha vida pessoal vinha de mal a pior. Como se não bastasse a faculdade. Minha namorada havia me deixado. Sua vida profissional estava em jogo. Passei meses na luta para me reerguer. Mas a cada novo e-mail e a cada conversa q tinha com ela, me deixavam desnorteada. Eu a amava , mas eu não a teria tão cedo. Eu precisava me livrar dessa dependência. Não prometemos fidelidade. Embora nossa vontade de esperar fosse grande. E isso estava me arrastando para baixo. Ia cada vez pior na faculdade. Além da minha dificuldade de manter a concentração em aula, a diferença de conhecimento em relação aos meus colegas se mostrava cada vez maior. E eu cada vez mais desesperada.
Comecei a buscar ajuda entre os professores. Livros. Referências.
Um certo dia. Estava eu quieta em meio a minha confusão quando ela se aproximou.
- Você está bem? – disse ela colocando a mão em meu braço.
- Estou bem! – resmunguei sem levantar a cabeça.
Continuei a aula inteira com a cabeça baixa, sem olhá-la, mas tentando prestar atenção no q ela dizia. Teorias mais teorias. Tudo q eu deveria aprender, mais do q qualquer outra pessoa naquela sala. Mas nada daquilo entrava na minha cabeça. A conversa com minha ex-namorada, na noite anterior, tinha me consumido as energias.
Mal acabou a aula e eu já estava indo em direção à porta. Não tava a fim de ficar ali. Não dessa vez. Queria q o dia acabasse logo.
- Julia, fique na sala por favor.
Parei. Fiquei de costas por um tempo ainda. – era tudo q eu precisava, uma bronca. – Me virei, sentei no tablado próximo a mesa dela. Fiquei esperando enquanto ela tirava dúvidas dos outros alunos. Quando a sala ficou vazia ela pegou uma cadeira e sentou-se na minha frente. Eu estava com os braços apoiados nos joelhos com as mãos soltas e a cabeça baixa. Não olhei pra ela.
- O que você tem??
- Já disse q estou bem professora.
- Estou preocupada com você, Julia – disse pegando em minhas mãos. – Está na cara q você não está bem. Você não tá indo bem na matéria, mas nunca te vi tão desanimada quanto hoje, e também foi logo saindo. Você sempre fica pra conversar…….. O q está havendo?
Senti uma lágrima escorrer em meu rosto. Senti o calor de suas mãos nas minhas. Respirei fundo. E olhei em seus olhos.
Parte II
Azuis.
- Desculpe Letícia, eu só estou me sentindo perdida. Tô tendo muita dificuldade com as matérias.
- É só isso mesmo?
Olhei-a por um instante. Olhei para o chão
- Sim…. é só – Menti.
De fato passávamos um bom tempo conversando sobre inúmeros assuntos, mas não estava a fim de falar que estava assim por causa de outra mulher.
Ficamos em silêncio por um tempo.
Levantei a cabeça. Ela sorriu. – que sorriso! – Ainda segurava minhas mãos. Soltou uma. Afastou os cabelos de meu rosto e enxugou uma lágrima que insistia em me fugir.
- Acho que posso te ajudar…….pelo menos a entender os processos.
- Como?
- Você pode me ajudar na tradução da minha pesquisa, aí conforme você for lendo a gente debate e vou tirando suas dúvidas …. o q acha?
- Eu não sei , vo… - não me deixou continuar.
- Você sabe qual é a pesquisa Julia, só vai se aprofundar mais.
- Tá .. eu sei….. sério… fico muito feliz com o convite, mas eu não posso me dedicar muito a te ajudar.
- Eu sei… o estágio não é?
- É ….
- Vamos fazer o seguinte…. não se sinta com prazos a cumprir. Afinal, para discutirmos o que ler, eu terei q ter lido também, não é? – fiz sinal afirmativo com a cabeça.
- Então, – continuou – vamos fazer o seguinte, este fim de semana não vou viajar com meu marido… e se você quiser, pode ir sábado na minha casa e a gente começa e estudar. O q acha?
- A gente pode tentar – disse com um tímido sorriso.
- Então combinado…. Aparece lá às 3 horas – disse me dando um cartão – Me liga qualquer coisa.
Sorri. Me despedi e fui para a próxima aula.
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O dia tinha começado normal. Fui em direção à sala de aula e comecei a me preparar para começar. Ainda era cedo, os alunos estavam chegando. O sinal tocou e eu comecei a matéria. Passados trinta minutos, ela chegou. – nossa, mais atrasada do q o normal – sentou-se no canto da sala. Abaixou a cabeça e ficou ali. Sem os habituais comentários ou risos.
Senti tristeza na ausência de olhar.
Interrompi a explicação e fui até ela. Sua resposta não me convenceu. Continuei a aula. Quando terminei, a vi saindo com pressa. Ela realmente não estava bem. A pedi para q ficasse. Conversamos, mas suas palavras não me convenciam. Havia algo q ela não queria me contar. Resolvi ajudá-la com q podia.
Antes de ir embora ela me sorriu. Perdi o fôlego. “Meu Deus, o q foi isso?”
Passei o resto do dia tentando entender aquela sensação. Ainda sentia o calor de suas mãos nas minhas.
Parte III
A semana se passou como as outras. Corrida e sem tempo. Eu mal tinha tempo para respirar. Meus trabalhos da faculdade não chegavam perto do mediano. Eu me esforçava, mas parece q nada do q eu fazia dava certo. A chegada do sábado me animava. Havia separado algumas coisas q eu andava lendo. Iria aproveitar para tirar algumas dúvidas com Letícia. Sempre nos demos muito bem.
Adorava a companhia.
Tinha algo nela q me fazia bem. E eu a queria bem.
Sábado chegou e fui até a casa dela. Fui pontual como sempre. Mas para ela isso era uma novidade.
- Nossa, bem no horário!! Não esperava. – me disse com o sorriso mais escancarado.
Entrei e, enquanto ela me mostrava a casa e o caminho para a sala onde iríamos estudar, reparei que ela vestia uma calça de moletom solta e uma regata branca. Estava muito à vontade.
Chegamos ao escritório. Vi livros, cadernos e fotocópias espalhadas pela mesa, ao lado do computador. Todos com muitas marcações. Muitas canetas marca texto, de varias cores, e lápis a disposição. Ela me indicou uma poltrona ao lado da prancheta de desenho. Reparei q aquele espaço fora improvisado. – Estava vendo onde ficaria melhor quando você chegou, não esperava q você seria pontual. – disse me deixando completamente sem graça.
- Pode deixar Letícia, tá bom assim…… qualquer coisa deixa q eu me viro – disse tentando disfarçar.
Peguei a poltrona e coloquei-a mais no canto da sala. Mostrei a ela o q eu andava lendo e a pedi q lesse também. Aqueles textos não faziam parte da área de especialização dela. Mas as coisas técnicas q me atormentavam eu acreditava q ela deveria conhecer.
Ela aceitou e me deu um artigo cientifico para ler. Este fazia parte da pesquisa. Ficamos ali, lendo. Cada uma em seu canto. Eu lia com atenção, procurava anotar tudo q achava interessante e importante.
Um movimento dela roubou minha atenção. Da onde eu estava sentada, podia vê-la perfeitamente. Ela prendia os longos cabelos loiros em um coque usando um lápis para prender. Me surpreendi com um pedaço de tatuagem lhe subindo a nuca. Voltou para o texto. Mordia a tampa da caneta enquanto lia. Nunca havia reparando em como era sexy. – Menos Julia, você esta aqui para estudar. – pensei comigo.
Me ajeitei na poltrona e voltei para o texto. Devia ter passado meia-hora quando terminei. Levantei os olhos e me deparei com aqueles olhos azuis. Sorriu. De certo ela me esperava. Então começamos a debater sobre os textos. Os meus e o dela. A conversa vinha animada. E eu estava feliz por finalmente entender alguma coisa. Então, de repente, fomos interrompidas.
- Oi amor….
- Oi querido.. tudo bem?
- Sim.. só vim avisar que já cheguei… não quis atrapalhar.
E eu só olhando.
- Ah!… me desculpe… Julia este é Marcos, meu marido.
- Muito prazer – me disse estendendo a mão.
- Oi….. – cumprimentei-o e voltei para poltrona.
- Vocês já jantaram?
- Na verdade não…. – Letícia olhou no relógio – Nossa. Já são 8 horas!!
Me levantei.
– Acho q já está na hora de eu ir então.
- Fique Julia.
- Imagine… não quero atrapalhar.
- É, fique… eu vou pedir uma pizza pra gente e vocês continuam a estudar. – Marcos saiu com o telefone na mão nem me dando chance de recusar.
Jantamos. Bebemos vinho. E ficamos divagando sobre assuntos alheios. Marcos contava piadas. Riamos muito. Era perto da meia-noite quando sai de lá. Letícia havia me dado mais dois textos para ler. E nos encontraríamos na casa dela durante a semana à noite. Estava feliz. Há tempos não me divertia tanto. E eu finalmente conseguia entender algo.
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Era 3 em ponto quando o interfone tocou. Achei q Marcos havia esquecido algo para trás. Mas era Julia. Nunca imaginei q seria pontual. A levei até ao escritório. Enquanto pegava um artigo para ela ler, ela me surpreendeu tirando da mochila alguns textos. Disse q andava lendo coisas q os outros professores indicavam, mas nunca conseguia conversar com eles para tirar dúvidas. Me perguntou se eu poderia ajudá-la com isso. Aceitei. Peguei os textos e entreguei o artigo. Comecei a ler. Textos muito interessantes. Julia estava tendo uma boa base.
Aquele sábado de agosto estava diferentemente quente. Prendi o cabelo q voltei a ler. Senti seus olhos em mim. Mas não me virei. Depois de ter lido todos os textos me virei para chamá-la. Ela estava muito concentrada. Ainda não tinha terminado de ler. Reparei q anotava tudo q podia. Ela havia aberto um botão de sua camisa e dobrado as mangas. Estava realmente quente. Os traços de seu rosto eram suaves. Os óculos lhe caiam bem.
Seus cabelos curtos tinham um brilho diferente.
Terminou de ler e me encarou. Perdi o fôlego novamente. Disfarcei.
Estava feliz por ela estar ali. Não vi o tempo passar. Quando Marcos chegou me assustei.
Julia se levantou. Fez q ia embora. Eu não queria. A boa intenção de Marcos fez com que ela ficasse. Fiquei feliz.
Durante o jantar me sentia mal. Queria estar apenas com ela. Não conseguia tirar meus olhos dos dela.
Castanhos.
Ela foi embora. Mas com a promessa de que voltaria.
Parte IV
(27/11/08)
A noite estava fria. Deitei em minha cama. Queria dormir, mas não a tirava de minha cabeça. – O que está acontecendo? Por que ela me chama tanta atenção? – Marcos deitou na cama ao meu lado. Eu estava de costas pra ele. Passou a mão em meu corpo. Encostou seu corpo no meu. Fingi q dormia. Ele não insistiu. Apenas me abraçou e pouco tempo depois senti q dormia.
Nunca senti interesse em outra mulher, por mais deslumbrante q fosse. Mas Julia era diferente. Tinha o cabelo curto. A franja comprida teimava em ficar na frente do rosto. Sempre usava camisa e jeans. Andava de All Star. Vermelho. Às vezes preto. Sempre carinhosa e atenciosa. Muito diferente de quando a vi pela primeira vez.
Era verão. Eu estava passando as férias na casa dos meus pais em Florianópolis. Estava com meu marido, irmã e cunhado na praia Mole. Bebíamos em um quiosque. Riamos muito com as piadas infames e já conhecidas de Marcos. Uma mulher começou a gritar. Desviei minha atenção a ela.
Uma loira, de corpo malhado, estava em pé gritando com uma garota q estava sentada na mesa. A garota a olhava incrédula. Reparei q ela falava apenas porque seus lábios se moviam. A loira estava fazendo o maior escândalo. Pelo q pude notar era ciúmes. Quando todos q estavam próximos ao quiosque já estavam assistindo ao espetáculo da loira, a garota levantou, com o olhar mais sério q eu jamais vi igual, e pegou a loira pelo braço. Me pareceu q quanto mais raiva ela tinha, mais baixo falava. Desta vez quase não notei seus lábio se mexerem. Seu olhar me dava medo. A loira pegou o copo mais próximo de sua mão livre e jogou seu conteúdo no rosto da namorada. Esta apertou o braço da loira com mais força. Ela reclamava de dor. Ela era mais alta e mais malhada q a namora, mas visivelmente a namorada era mais forte. A garota soltou a loira, q foi embora. A garota olhou pra baixo, passou a mão no cabelo, levantando o rosto. O sol refletia em sua pele molhada. Aquela cena ficou gravada pra sempre. Naquele momento já não tinha mais medo. A serenidade com a qual ela olhou o garçom era de como se tivesse tirado o mundo dos ombros.
Dois meses depois vi aquela mesma garota entrar na minha sala de aula. Julia. E com o passar dos dias ela foi se mostrando pra mim cada vez mais atenciosa e carinhosa.
O seu jeito de moleca rendia muitas risadas nas conversas dos intervalos. Lembrar dela com tantos detalhes assim me deixava assustada. Afinal eu estava casada com Marcos. Tinha q arranjar um jeito de resolver essa situação.
Parte V
Peguei a moto com a intenção de voltar para casa, mas quando reparei, eu estava parada em frente à porta da casa de Dani. Já passava da uma da madrugada. Mesmo assim ela me atendeu. Ela abriu a porta.
Beijei-a.
Fui levando ela para dentro da casa. Fechei a porta com o pé. Não afastei minhas mãos dela. Fiz seu corpo colar no meu. Beijei seu pescoço. Gemeu. Ela afastou seu rosto por um momento. Olhou-me nos olhos. Aqueles olhos cor de mel me analisavam. O tesão que ardia em mim estava evidente.
- Não quero saber porque está fazendo isso agora….. – se afastou de mim – …Só faça com q não me arrependa depois – tirou a camiseta fina q usava para dormir e me puxou de volta pra ela.
O beijo era misto de desejo e saudade. Há muito tempo não a procurava.
A levantei do chão. Prendeu as pernas em volta do meu corpo. Abraçava-me pelo pescoço. Segurava meus cabelos. A carreguei até a cama. E ali descarreguei meu desejo e lhe dei prazer. Horas depois. Estava eu deitada, com Daniela deitada com a cabeça em meu peito, olhando para o teto.
- Em que está pensando….. – me assustei, achei q ela ainda dormia – Ou melhor…em quem está pensando?
Fiquei em silêncio
- Pode falar Julia….. – Ela se levantou um pouco, olhou em meus olhos – … é a Ana que está te deixando assim?
- Não… a Ana não tem nada haver com isso.
Então contei tudo q havia acontecido na casa de Letícia e de como eu me sentia desconfortável em vê-la com o marido.
A primeira vez em q a vi. – Ainda me lembro bem. – Ela vestia uma calça jeans e usava uma blusinha sem mangas bem comportada. Era o primeiro dia de aula. Ela estava muito séria. Apresentava sua maneira de trabalhar e do que se tratava sua matéria. Algo me dizia q eu ia me dar muito mal. Durante o intervalo fui dizer a ela q meu nome ainda não estava na chamada. Perguntou de onde eu era transferida, pois não lembrava de meu rosto na faculdade. Contei minha situação. Ela largou aquela máscara de professora de lado e se mostrou uma excelente companhia.
- Você está apaixonada por ela. Fato!
- Ah, sei lá Dani…… pô.. ela é casada….
- Isso não quer dizer nada ….Eu também fui, esqueceu??
- Verdade…. mas quando começamos a nos encontrar assim você já estava divorciada….
Ela fez q sim.
- Eu não acredito q tenha alguma chance.
- ‘Tá loca? – me bateu no ombro – Você consegue conquistá-la…. mas você tem q ser sutil e mesmo assim mostrar muito bem o q quer de verdade.
- Certo…. mas depois penso melhor nisso…. – olhei para ela de um jeito malicioso – .. Agora eu to morrendo de calor, que tal a gente ir tomar um banho…. – disse puxando ela da cama.
- Você não presta Julia….. – disse rindo e batendo em meu ombro…
Depois de um bom tempo saímos do chuveiro. O dia já estava bem claro lá fora. Resolvi ir finalmente para casa. Estávamos nos vestindo no quando fomos surpreendidas por Guilherme, que entrava fazendo a maior festa.
- Mamãe!!! Bom dia… – disse pulando no colo de Dani.
- Bom dia, meu bebê…. – beijou-lhe as bochechas e o colocou no chão.
Ele saiu correndo em direção a sala…
- Não dá mais oi pra mim, Gui? Vou ficar triste – Disse brincando.
Ele, então, voltou correndo me abraçou.
- Bom dia tia Ju! Num fica titi não. – beijou meu rosto e saiu brincando.
Depois do café da manhã peguei meu rumo de volta para casa. Daniela me fez prometer q pelo menos tentaria conquistar Letícia. No caminho já foram me surgindo algumas idéias. Estava louca para colocá-las em prática.
Parte VI
Os dias foram passando sem nada muito diferente. Encontrava Letícia uma vez por semana na casa dela depois do trabalho. Algumas vezes durante a semana mandava-lhe entregar uma rosa com um poema no bilhete. Fazia questão de sempre mandar um poema diferente e escrito no computador. Sem assinatura.
Fiz questão de estar presente na entrega da primeira.
Era uma quinta-feira e ela estava na sala dos professores no final da aula. Toda quinta ela ficava até mais tarde para atender os alunos com dúvidas. Eu estava sentada na frente dela. Discutíamos um caso q eu estava estudando e desenvolvendo para outra matéria quando o entregador bateu na porta.
-Por favor, onde posso achar a professora… Letícia? – Perguntou verificando o nome no papel.
-Sou eu mesma. – disse com cara de dúvida
-Está flor é para a senhora. – entregou a rosa – Por favor, assine isso.
Ela assinou e ele saiu.
Pegou o bilhete e conforme ia lendo um sorriso faceiro ia tomando conta de seus lábios. – Nem carnudos, nem finos. Na medida ideal. – Quando chegou ao fim fez uma cara de quem não estava entendendo nada. Virou o cartão três vezes procurando algo. Foi a minha deixa.
- Quem mandou, Letícia?
- Não sei, veio sem assinatura.
- Deve ter sido o Marcos então? – não sei porque eu disse isso..
- Não…… Marcos não é desses romantismos.. – olhava fixamente para a rosa.
Olhou para o bilhete. Cheirou a flor. Sorriu.
- Seja lá de quem for eu adorei isso. – olhou para mim. – Fica entre nós, ta?
- Claro! – Sorri de volta.
Naquele momento eu ganhei meu dia.
Continuamos nosso papo. Ela não se preocupava em conter o sorriso.
E assim foram os dias. Reparava nela uma felicidade diferente sempre que recebia uma rosa. Ela nunca comentou nada além daquele dia. Mas nem precisava.
Um certo dia eu estava esperando a aula começar. Estava perto de uma escada aonde alguns colegas se reuniam para fumar. Quando escutei aquela já tão conhecida voz. Olhei para cima. Ela vinha acompanhada de outra professora.
Meus olhos seguiam todos os seus movimento. A maneira como passava a mão pelo cabelo. Como os lábios se mexiam. O sorriso estampado. Reparei na rosa no topo da pilha de livros que levava.
Ela tropeçou.
Sem hesitar, a tomei em meus braços evitando que fosse ao chão. Ela olhou em meus olhos. Mergulhei naquela imensidão azul e o tempo parou. Não via mais nada. Não escutava mais nada. Tudo o que queria era beijá-la.
- Obrigada .. – ela disse me trazendo de volta a realidade.
Ajudei-a a se levantar e pagar as coisas que haviam caído.
- Mais uma? – perguntei apontando para a flor
- Sim.. linda, não é?
Fiz q sim.
- Já perdi as contas.
“Eu também” – pensei.
Ela beijou-me a face. Agradeceu novamente. E foi embora, me deixando ali. Pela primeira vez sem reação. Sem fala. Sem Ar.
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Aquelas flores e poemas me levavam ao céu. Tão lindas palavras. Tenho certeza q escolhidas com muito carinho. No começo me assustei. Pois sabia q não eram de Marcos. Ele nunca foi dado a romantismos. Nem mesmo quando começamos a namorar.
Aquele já era o décimo poema q recebia. E nele, o desejo de quem me mandava lindos versos estava estampado. Não parava de lê-lo.
“Uma mulher ao sol – eis todo o meu desejo
Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz
A flor dos lábios entreaberta para o beijo
A pele a fulgurar todo o pólen da luz.
Uma linda mulher com os seios em repouso
Nua e quente de sol – eis tudo o que eu preciso
O ventre terso, o pêlo úmido, e um sorriso
À flor dos lábios entreabertos para o gozo.
Uma mulher ao sol sobre quem me debruce
Em quem beba e a quem morda e com quem me lamente
E que ao se submeter se enfureça e soluce
E tente me expelir, e ao me sentir ausente
Me busque novamente – e se deixa a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir…”
- Vinicius de Moraes.
Me virei assustada e vi a professora Camila próxima a minha mesa.
- Como é?
- Esse poema… é Vinicius de Moraes. Não sabia?
- Na verdade não…
- Pois é…… Eu li num livro q a Julia do terceiro ano estava carregando outro dia. Lindo, né?
- Sim……lindo… – me passou pela cabeça q não se passava de uma coincidência.
Camila disse q Julia andava copiando os poemas, dizia que resolvera ilustrar os que tinha gostado mais. Ela sofria desses rompantes de criatividade. Os resultados eram sempre muito bons. Pena q muitas vezes isso não funcionava com relação aos trabalhos da faculdade. Só podia ser uma coincidência. Lembrei daquele dia em Florianópolis. Ela não parece ser do tipo romântica. E da primeira vez ela ainda perguntou se era do Marcos. Mas lembrando bem, ela sorriu quando reconheci q não poderia ser dele.
Mas se eram dela as flores e os poemas por que nunca assinou?
Eu precisava saber se ela tinha algum interesse em mim. Ter certeza. E, se não, tirar toda essa fixação por ela da minha cabeça. Eu já não aguentava mais ficar um dia sem vê-la. Lamentava ter Marcos em casa sempre q ela ia. Eu me sentia péssima. Não podia ser sacana com meu marido. Mas não queria larga-lo por uma incerteza.
Estava indo para o estacionamento deixar uns livros no carro com Camila, quando eu escutei aquela risada, que só de lembrar me fazia rir por dentro. Quando virei o lance da escada reparei q ela estava bem na frente da escada e olhava para mim. Disfarcei e continuei conversando com Camila. Não sei o que aconteceu, mas em poucos segundos me vi em seus braços. Olhei em seus olhos. Minha boca secou. O mundo parou.
Notei seus lábios entreabertos, sua respiração ficar descompassada. Ela buscava o beijo com o olhar. E eu o queria. Mas em um segundo de lucidez agradeci por ela ter me segurado e me levantei. Ela tentou agir naturalmente, mas seu nervosismo estava na cara. Fui embora sem esquecer daquele olhar profundo.
Naquele momento tive certeza de que realmente era ela quem mandava tantas gentilezas.
Parte VII
Fiquei pensando por que ela nunca assinou um bilhete. Por que não me permitiu saber q era ela? Por que ela hesitou em me beijar quando me teve em seus braços? Ela não parou de mandar flores depois daquele dia. E cada verso com seus desejos e sentimentos mais estampados. Eu os procurava na Internet para saber de quem eram, mas os mais ardentes e profundos não estavam e lugar algum. Algo me dizia q era ela mesma quem escrevia. Um dia me dei conta q ela estava me dando certeza do q sentia, mesmo sem saber se eu um dia corresponderia. Então reparei q agora só dependia de mim. Aquele quase beijo não saia da minha mente. Eu queria senti-lo. Queria saber qual era o sabor daquela boca. Não dava mais para agüentar.
Era uma segunda-feira. Eu e Julia conversávamos na sala durante o intervalo. Olhava pra ela pensando numa maneira de contar a ela q eu já sabia de tudo e q eu a queria da mesma forma. Mas eu não conseguia pensar. Nenhuma palavra q eu pudesse pensar em dizer parecia o suficiente para tudo q ela dizia.
O telefone tocou.
- Oi…
- Oi Amor! ‘Tá ocupada?
- Não muito pode falar.
- Liguei pra te dizer q eu vou ter q ir para Foz do Iguaçu agora. Deu um problema lá….Não sei quando vou poder voltar. Não vai dar pra te buscar aí… Tudo bem?
- Tudo bem Marcos, eu dou um jeito….. Me liga quando você chegar lá.
- Tudo bem. Beijo.
- Beijo.
Desliguei.
- Tudo bem?
- Tudo sim Julia. Era só o Marcos falando q não vai poder me buscar hoje. Você sabe o telefone de algum táxi?
- Você ‘tá carregando muita coisa hoje?
- Não, só a bolsa…..por que?
- Se você não se importar posso te dar uma carona.
- Ia ser bom….. mas não vou te atrapalhar?
- Imagina…. mas então te encontro aqui depois da aula.
- Está bem…
- Deixa eu ir pra aula. Até depois… – disse saindo da aula.
Enquanto dava aula fiquei tentando entender por que ela me perguntou se me importaria.
A aula terminou e fiquei esperando ela aparecer. Demorou um pouco, mas logo ela chegou correndo pelo corredor.
- Desculpa Letícia, tive que passar na biblioteca.
- Tudo bem….. se for atrapalhar você eu chamo um táxi.
- Que nada…. vamos?
- Vamos…
Fui seguindo ela até o estacionamento. Fiquei tentando adivinhar qual seria seu carro. Parou ao lado de uma moto.
- Coloca isso – me disse entregando um capacete.
- Nós vamos de moto?
- Sim…. algum problema?
- Não…. tudo bem – estava nervosa. Não gostava de motos. Tinha medo de cair.
Ela notou meu nervosismo. Sorriu.
- Não se preocupe…. eu vou devagar – disse pegando em minha mão .
Me ajudou a colocar o capacete, ajeitou as bolsas na moto e, como prometido, foi devagar. Sem costurar o transito. No começo eu estava bem apreensiva. Me agarrei nela com medo de cair. Levantei o visor. Me sentia sufocada. O vento trouxe com ele o perfume dela. Deixei-me embriagar por aquele aroma e apertei mais meu abraço. Não queria mais ficar distante dela.
Choveu.
Era uma verdadeira tempestade. O dia virou noite em poucos segundos. Quando paramos no sinaleiro ela virou e disse algo que não consegui entender. O barulho da chuva estava demais. E o frio já começava a tomar conta de meu corpo. Ela segurou minhas mãos e fez com q eu a apertasse mais. Naquele instante percebi que ela iria correr. Mas não tive medo.
Chegamos na frente da minha casa. Quando desci da moto e puxei-a pela mão.
- Entra!!! – gritei.
- O quê??
- Vem!! – puxei-a de novo.
Ela desligou a moto, pegou as bolsas e, no meio do caminho até o portão, tirou o capacete. Entramos no prédio e , por sorte, já pegamos o elevador. Tirei o capacete.
- Achei q você tivesse esquecido dele. – ela disse rindo
- Você que é doida…. ficou com o cabelo todo molhado.
Tirei seus cabelos da frente dos olhos. Passei a mão em seu rosto. Ela fechou os olhos. Respirou fundo como se fosse absorver cada centímetro da minha pele.
O elevador parou. Entramos no apartamento.
- Espere aqui…. vou pegar uma toalha para você.
- Obrigada…
Fui até o quarto tirei a roupa molhada.
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Quando ela entrou na sala, eu perdi meus sentidos. Estava linda com o cabelo solto. Usava uma camiseta grande e um shortinho curto. Me entregou a toalha. Procurei secar logo meu cabelo. Senti suas mãos abrindo um botão da minha camisa. Nossos olhos se encontraram. Seus lábios me chamavam. Passei a mão em seu rosto. Ela fechou os olhos. A puxei para mim. Beijei-a.
O beijo foi calmo. Tinha a vontade da descoberta. O cuidado da primeira vez. Ela deslizou as mãos em meu cabelo e segurou firme. A puxei pela cintura e fiz seu corpo colar no meu. Passava minhas mãos em suas costas por baixo da camiseta. Beijei seu pescoço, mordi sua orelha. Gemeu.
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Ela se afastou por um instante. Olhava para mim incrédula.
Sorri.
- Me faz sua Julia.
Sem pensar duas vezes ela me agarrou. Seu beijo estava cheio de desejo. Suas mãos tomavam conta de meu corpo. Em poucos minutos nossas roupas faziam a trilha até o quarto. Me deitou na cama. Meu desejo era grande. Queria logo aquelas mãos.
Julia me beijava com carinho, me tocava com cuidado.A cada contato com sua pele me levava ao êxtase.
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Não acreditava que finalmente ela era minha.
Beijei demoradamente sua boca. Percorri seu corpo com meus lábios. Beijei cada centímetro daquela pele clara. Quando toquei seu sexo ela estremeceu. O movimento de seu quadril dizia exatamente o q ela queria. Satisfiz sua vontade. Ela gritou. Gravou as unhas em meus ombros. Senti seu corpo tremer colado ao meu. Não resisti e gozei junto com ela. Nunca havia sentido uma onda de prazer tão grande como aquela. Deixei meu corpo cair sobre o dela. Adormeci.
Parte VIII
Acordei sozinha em meu quarto. – Foi um sonho? – Me virei e abracei o travesseiro q estava ao lado. Senti seu perfume. A lembrança do prazer q ela me fez sentir fez meu corpo todo extremecer. Levantei me perguntando por que ela não estava alí? Onde ela teria ido? Quando saiu?
Fui até o banheiro e tomei um demorado banho. A água escorria pelo meu corpo fazendo-me lembrar de cada toque, da sensação dos nossos corpos colados. Quando me arrumava me surpreendi com um bilhete colado no espelho.
“Bom dia Princesa!”
Era a letra dela. Isso me fez pensar que ela realmente precisou ir. Me sentia leve e feliz como a muito tempo não era. Senti fome. Atravessei o apartamento lembrando de cada segundo, cada olhar desde q entramos no elevador. Na porta da cozinha outro bilhete.
“Ou melhor….. Boa noite!”
Só então olhei para o relógio. Nove e meia. Fui até a janela, abri as cortinas, a noite lá fora estava maravilhosa. Céu limpo. Muitas estrelas. E a lua, crescente, estava alta. Respirei fundo. Senti um aroma no ar. Não consegui identificar o que era, mas me abriu o apetite.
Entrei na cozinha e lá estava ela de costas para a porta, encostada na pia. Sem dizer nada e aproximei e a abracei pela cintura. Beijei seu pescoço.
- Hummm……. que cheiro bom….
- Mamãe q fez….
- ‘Tô falando da comida, Julia….
Ela ficou de frente para mim.
- Pô ….. magoei. – ela disse num sorriso maroto
- Ô tadinha….. – Beijei -a
- Durmiu bem Lét?
- Não tria como durmi melhor… faz muito tempo que você acordou?
- Na verdade faz sim… até ao supermercado deu tempo de ir.
- Por que não me acordou?
- Porque você tava tão linda dormindo… – me beijou – … e também eu quis fazer uma surpresa.
- Adorei sua idéia… Tô morrendo de fome.
Tentei pegar um pedaço de queijo. Ela bateu em minha mão.
- Quer fazer o favor de esperar?
- Ta bom… O que você acha que se a gente comer na frente da lareira?
- E têm?
- Claro, senão não falaria.
- Quer ajudar com a lenha?
- Não precisa… termina isso aí que eu arrumo tudo lá.
- Ta bom, mas antes vem aqui e me da aquele beijo.
Arrumei a sala com algumas almofadas no chão. Coloquei uma toalha na mesa de centro. Aos poucos Julia vinha me trazendo as coisas e arrumando na mesa. Acendi a lareira abri um vinho e nós servi enquanto ela acendia o fogareiro do fondue.
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A noite foi super agradável, apenas sob a luz da lareira.
Nos amamos outra vez, ali mesmo. Mas dessa vez sem a pressa do desejo contido, mas com calma, aproveitando cada segundo q tinhamos juntas. Descobri q a tatuagem q me chamou a antenção semanas antes era um lindo ramo de flores q começava na nuca e decia até o quadril.
Durmimos juntas aquela noite.
.
- Julia, Julia ….
- O quê? – Acordei num susto.
- Vamos, já são 7 da manhã. – disse com pressa me puxando pela mão
- Tá cedo ainda, volta pra cá.. – puxei-a de volta para cama
- Só você mesmo – me beijou - Mas é sério vamos, ou você não lembra que hoje é terça-feira e tem aula.
- ai droga.. eu juro q tinha esquecido – disse pulando rápido da cama e procurando minhas roupas pelo apartamento.
Enquanto eu vestia minha camisa caiu a fixa de q nada mais seria igual, a começar pela faculdade. A gente não podia chegar juntas. Era algo mais grave que apenas um caso entre aluno e professora. Era entre duas mulheres. E o pior de tudo, ela era casada. Terminei de me vestir e voltei para o quarto.
—–
Estava me arrumando frente ao espelho quando percebi que ela me olhava pelo reflexo, toda aquela felicidade que estava estampada em seus olhos a alguns minutos atrás tinha se transformado em uma cara séria. Retribui o olhar e ela sorriu timidamente.
- O que foi Ju?
- Como a gente vai fazer?
- o que? A gente poder ir de moto mesmo..
- não é disso q eu to falando.
- e o que é então?
Ela me olhou séria por alguns segundos. E me sorriu descontraída vindo me abraçar.
- o povo ta acostumado comigo chegando no meio da sua aula e não junto com você.
- a gente faz o seguinte, eu entro antes e você dá um tempo e entra. Hehe
- então vamos logo senão quem vai se atrasar é você.
Durante o caminho para a faculdade fiquei me lembrando das coisas que aconteceram até aquele momento, e me lembrei do Marcos. Não iria conseguir levar uma vida dupla. Ele não merece isso, ela não merece isso. Mais cedo ou mais tarde iria ter q escolher entre um dos dois. Então entendi o pq q a Julia me olhava preocupada no quarto. Ela devia estar pensando que tudo aquilo não passava de uma aventura para mim. Uma coisa de momento. Mal sabe ela que já estava apaixonada antes mesmo dela saber que eu existia.
Senti um aperto no peito, chorei calada. Abracei Julia com força e com medo de que tudo que vivemos naquele dia nunca mais fosse se repetir.


Gostei. Quando continuar a estória de Julia, manda um aviso?
Abraços,
Enfil
Olhaaa!! o DBB comentou aqui..asuhasuhsa
figuríssima…
Tb gostei do texto Flávia. Acho que a Julia precisa investir nela mesma, pq é o tipo de investimento que nunca decepcioona…
beijos
Nossa, esse Marcos tá atrapalhando até o desenvolvimento da história!
kkk
Ela vai voltar! Ah, vai!
Beijos
Enfil
Quero sabe.. quando ira continua a historia da Julia mais a professora.. eu ameii ela.. estou louca para ver o resto..
Quando terminar avise-me.
Obrigado!
cara, q pira, adorei esta última parte…
Muitoo Lindo esse conto *__*
Estou anciosa para ver a continuação
Quando postar a continuação por gentileza me avise =D
Obrigada !
Meus Parabéns
Mmmm… Parte VII, no final, é inspiradora. Linda de viver…
Beijos,
Enfil
caramba adorei tds…
mais
em fim…
rsrsr…bjux